sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Súbita dádiva IV


Parte IV


- O que acha? – Perguntou meu pai.
Estava desnorteada, não sabia se olhava para ele, para o quarto ou para as estranhas pessoas que estavam ao meu redor.
- É maravilhoso – e as primeiras gotas começaram a escorrer pelo meu rosto. Meu pai veio ao meu alcance me dando um forte abraço. Tudo era maravilhoso, o quarto era aconchegante, branco, dando um ar de leveza. Tinha uma escrivaninha logo ao lado da cama, onde percebi que havia vários ramos de flores. Peguei um ramo de rosas apreciando aquelas lindas flores. No meio daquelas flores vermelhas havia um pequeno cartão rosa claro. O peguei entregando para meu pai para que ele pudesse ler para mim.
- Leia, por favor, pai.
- “Querida Isa, fui a sua casa há alguns dias atrás mais não havia ninguém. Resolvi ligar para seu celular e seu pai me contou sobre sua cirurgia. Estarei no parque quando você voltar amor. De seu namorado, Henrique” - lágrimas e mais lágrimas escorriam sobre meu rosto.
- Ele te ama filha – meu pai sorriu para mim esboçando um sorriso muito bonito.
- Doutor será que já posso ir?
Meu pai resolveu as últimas papeladas no hospital e pedi para que ele me deixasse no parque. Chegando lá sai correndo até o banco que passei as melhores tardes com Henrique. Ele ainda não havia chegado. Não censurei, afinal era uma hora da tarde e nós sempre nos encontrávamos lá pelas três. Parei em frente ao pequeno banco de madeira. Em sua frente havia um extenso lago verde, com muitas pombas brancas voando. Imaginei que certamente sentávamos de costas para ele. Burrice! Sim isso era muita burrice passar tantas tardes de costas para aquela paisagem maravilhosa.
Sentei no banco, mas dessa vez de frente para o lago. Peguei algumas pedras esparramadas pela grama, e atirava uma por uma naquela imensidade verde cheia de água.
Senti alguém respirar fortemente ao meu lado. Virei e abracei Henrique. Aos poucos nos separávamos até finalmente ficar um de frente para o outro. Ele sussurrou em meu ouvido.
- Prometa que a partir de agora você só irá sorrir amor.
- Prometo! – Respondi animada selando nossos lábios em um suave e rápido beijo.
Fechei meus olhos e segurei firme o rosto de Henrique. Senti as mãos quentes dele sobre as minhas e aos poucos fui abrindo meus olhos. 

continua

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