terça-feira, 28 de setembro de 2010

Súbita dádiva II

 Parte II
Ainda no mesmo ano, em uma tarde de junho, estava indo ao parque de praxe.
Sentei no pequeno banco de madeira e notei que ele ainda não havia chego. Esperei alguns minutos, mas ele estava demorando muito. Levantei decidida a voltar para casa.
Dei pequenos passos em direção a saída do parque, com a esperança dele me sustentar em seus braços e dizer que estava detido no trabalho por isso se atrasou. Mas nada, o único que escutei foi uma música idiota - idiota mais muito encantadora - vindo da direção onde segundos atrás eu estava sentada. Voltei ao banco para apreciar um pouco aquela linda melodia.
 Logo que me sentei senti duas mãos quentes tocando o meu rosto.
- Que namorar comigo? – Henrique sussurrou em meu ouvido com uma voz rouca.
Ao ouvir essa pequena e muito significante frase, o abracei com toda minha força e selei meus lábios junto aos dele. Começamos um beijo suave, ele era perfeito! Nunca pensei que alguém se apaixonaria por mim, e Henrique conseguiu superar todas as minhas expectativas.
No fim da tarde ele me levou para casa. Dei um beijo em seus lábios de despedida. Já estava girando a maçaneta da porta quando ele me puxou pelos braços.
- Eu te amo muito!
- Também te amo – abracei ele deixando uma lágrima escorrer pelo meu rosto.
- Ei! Não chore Isa.
- Você não entende amor. Eu nunca quis tanto poder enxergar como agora. Eu gostaria muito de te ver.
- Eu estava conversando com minha mãe semana passada sobre você, sobre sua deficiência. Por que você não procura um médico, um especialista no caso, pois poderia encontrar algum transplante de córnea. E se tudo desse certo você poderia voltar a enxergar – ficamos mais um tempo conversando sobre está brilhante idéia, e logo quando entrei em casa subi correndo para o quarto do meu pai para lhe contar estas duas novidades.
            Na manhã seguinte meu pai me levou ao médico para ver se era possível fazer o tal transplante de córnea. O médico disse que meu caso era difícil, mas caso houvesse alguma doação ele me ligaria.
 Chegando em casa. Tomei um rápido banho e corri para o parque com finalidade de contar as novidades para meu namorado. Disse como foi a consulta com o médico empolgadamente. Ele disse que estava feliz por mim, e que iria rezar para que houvesse alguma doação o mais rápido possível.    
             Dois meses se passaram, toda esperança que existia dentro de mim já estava chegando ao fim. Henrique perguntava a todo o momento o que me perturbava, mas não queria encher ele mais uma vez com meu problema, então apenas respondia que era cisma dele.
Certo fim de tarde, quando retornei a minha casa, não parava de pensar que nunca iria aparecer alguma doação. Acabei fazendo a maior tolice de minha vida, pois acabei esquecendo de todo o amor que eu sentia por Henrique e deixei a fúria dominar meus pensamentos. Tentei me suicidar e acabar com estes problemas de uma vez por todas. A única coisa que me recordo depois desse acidente era a voz do meu pai desesperado me chacoalhando em seus braços.
Quando contei para Henrique dessa minha imprudência, pude sentir a preocupação em sua voz, e logo ele me respondeu:
- Calma meu amor. Quanto menos você esperar, você estará na sala de cirurgia fazendo o transplante. Mas não de mais estes sustos em mim e principalmente em seu pai, certo? Imagina como seria para ele te perder - Henrique tinha razão. Eu estava completamente fora de mim quando tomei aquela atitude.
 Acreditei nele e toda a noite rezava para que meu desejo se realizasse rapidamente.

continua

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