Parte I
Eu me chamo Isabella, Isabella Sampaio. Tenho vinte anos. Mudamos para São Paulo quando eu tinha apenas cinco anos de idade, foi logo depois do acidente.
Eu e mamãe estávamos voltando de uma curta viagem até a praia, quando a carreta de um caminhão tombou nos acertando. Minha mãe não aguentou e faleceu. Fique em coma durante 3 meses, não me lembro direito, e logo que acordei não podia mais enxergar.
Gostaria poder ver de novo, como todos a minha volta. Me sinto deslocada, me sinto anormal!
Mas não foi por essa deficiência que as pessoas tinham aversão de estarem ao meu lado. Muito pelo contrário, sempre tive muitos amigos em torno de mim.
12 de fevereiro
O sinal do término da aula tinha acabado de soar. Era sexta-feira, e como toda tarde, fui passear no parque. Estava um dia frio e chuvoso. Cada passo que eu dava, ouvia o barulho dos foliáceos secos caídos sobre grama. Sentei em um banco úmido a fim de sentir um pouco a brisa. Podia não ver a paisagem, mas só de sentir o vento brando e fresco percorrendo meu rosto era uma sensação incrível.
- Posso sentar? – Me perguntou uma voz grossa.
- Claro!
- Como você se chama?
- Isabela – sorri gentilmente – e você?
- Prazer Henrique – ele pegou em minhas mãos em sinal de comprimento. Abri um grande sorriso involuntariamente. É difícil alguém ter contato comigo dessa maneira.
Fiquei até entardecer conversando com Henrique no parque. Contei sobre minha deficiência para ele, e ele me contou com o que ele trabalhava e sobre sua família. Era um garoto gentil, educado. Me sentia segura ao seu lado.
Caíram as primeiras gotas de chuva. Disse a ele que tinha que ir. Como estava ameaçando cair uma tempestade ele me acompanhou até a porta de casa. Quando chegamos, ele disse para nos encontrarmos amanhã no mesmo local.
Dias e dias se passaram, e meu cotidiano se tornou passar as tardes com Henrique, no mesmo pequeno banco onde nos encontramos pela primeira vez.
Henrique estava se tornando um ótimo amigo. Quando estávamos juntos me sentia bem, e quando não estava com ele, não conseguia parar de pensar quando eu iria vê-lo novamente.
- Henrique.
- Fala Isa – ele passou uma de suas mãos pelo meu rosto.
- Você sabe qual é o meu maior motivo deu querer voltar a enxergar um dia?
- Não – sua voz estava confusa.
- Eu gostaria de poder saber como você é, e está paisagem.
- Eu se fosse você não iria gostar de me ver não – disse ele rindo
- É sério Henrique. Nunca tive uma motivação tão grande para querer um dia poder enxergar, como quero poder ver você agora.
- Um dia seu sonho será realizado.
Algum tempo depois, o sentimento que eu sentia por Henrique era tão forte, que não sabia direito como lidar com aquela estranha sensação dentro de mim. Nunca me apaixonei antes. Nunca tive um grande amigo. Tenho muitos colegas, mas apenas isso, colegas.
continua

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